Apesar de a pauta eleitoral ter dominado o ano até agora, principalmente nesta reta final das eleições, o mercado brasileiro de fusões e aquisições vem tendo até aqui um período com grandes operações.

O volume de operações brasileiras, tanto em quantidade quanto em valores, é superior ao do México, Argentina, Chile, Colômbia e Peru, alguns dos países que mais realizaram M&As na região.

Por aqui, o terceiro trimestre foi marcado por uma queda de transações em relação aos dois primeiros, principalmente por conta das eleições. Isso aconteceu, segundo especialistas ouvidos pela LexLatin, porque setores notadamente dependentes ou regulados pelo governo, como os de óleo e gás, geração e distribuição de energia, saúde, entre outros, apresentaram uma redução no volume de novas operações iniciadas no 3º trimestre.

Essa situação tem relação com a incerteza da continuidade das políticas desenvolvidas pelo atual governo, especialmente no campo das privatizações e das concessões em curso e/ou os novos projetos que estavam na pauta.

Já outros setores, que tradicionalmente atraem players estrangeiros — tecnologia, fintechs, e indústrias multinacionais ou que façam parte da cadeia de fornecimento global para a indústria — perceberam uma redução no volume das transações. Isso pode ser atribuído tanto aos fatores externos como à própria incerteza política no Brasil.

Essas oportunidades de M&A, que já foram mapeadas pelos principais players tanto dentro quanto fora do país, na análise dos experts, aguardam uma definição das eleições presidenciais para retomarem a agenda de aquisições com uma melhor visão de qual será a política, principalmente econômica, adotada pelo próximo presidente da República.

“A questão eleitoral preocupa, especialmente no que tange à manutenção das bases atuais e segurança jurídica dos negócios, mas não é um tema que tem afugentado o investimento”, avalia Luiz Antonio Varela Donelli, sócio do escritório Donelli e Abreu Sodré Advogados.

A expectativa dos advogados especializados é de que os setores de energias renováveis, indústria 4.0, cadeia de fornecimento global, óleo e gás e de saúde continuem em alta, seguidos dos setores de educação (muito aquecido, em razão da retomada em definitivo das aulas presenciais), varejo e concessões (rodovias e aeroportos, entre outros).

Os investimentos no setor de infraestrutura, por meio do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), foram impulsionados pelas concessões feitas pelo governo desde o início do ano. “O terceiro trimestre ainda usufrui desse impulsionamento do programa de concessões, aliado ao crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB”, analisa Thalita Vani, sócia de Societário e M&A, do escritório VBD Advogados.

Para a advogada, muitos players e investidores, antecipando a incerteza com as eleições e esperando algum impacto da Copa do Mundo, optaram por acelerar as atividades de reorganizações societárias e aquisições, o que marcou o mercado de M&A em alguns setores, como o de energia, tecnologia, telecomunicações, infraestrutura, saúde e imobiliário, gerando movimentação e operações importantes.

“Numa fase mais de consolidação e oportunidades, mais do que expansão e crescimento agressivo, o terceiro trimestre estabilizou, mas ainda deu sinais de que as atividades de M&A e parcerias estratégicas no Brasil podem crescer mais, sobretudo na parte de infraestrutura e energia, motivadas tanto por concessões como por privatizações, sendo certo que tudo isso está sujeito a sofrer os impactos de eventual mudança de governo”, afirma a especialista.

Para Helder Fonseca, sócio sênior do GVM Advogados, head da Área Societária e de Fusões e Aquisições do escritório de São Paulo, a redução no ritmo tem relação com fatores externos (panorama econômico mundial, questões de abastecimento na Europa com a crise Rússia x Ucrânia, inflação nos mercados desenvolvidos, entre outros) e internos. Neste caso, a incerteza quanto à definição do panorama político no Brasil com relação ao próximo presidente.

Há ainda a queda do valor de algumas empresas na Bolsa de Valores. Alguns ativos se tornaram mais baratos e fomentaram algumas aquisições e movimentações privadas, mesmo com oscilações do dólar para cima e para baixo. Isso também se deveu ao fato de a maioria das empresas que esperavam abrir capital em 2022 adiarem seu plano em função da instabilidade econômica e política.

Tudo isso promete mudar logo depois das eleições, no próximo domingo (30). Com o panorama eleitoral definido, existe a expectativa de crescimento em relação ao último trimestre do ano, especialmente por conta da estabilização de alguns fatores que auxiliam na tomada de decisão causada pelo fim do período eleitoral.

“Apesar do cenário de maior inflação global, custos de capital elevados e redução de margens operacionais, a tendência é de retomada em relação ao período anterior”, diz Victor Hugo Brito, sócio de Corporate, M&A e Venture Capital do BBL Advogados. É esperar para ver se haverá alta das transações de fusões e aquisições, com grande volume de negócios, já neste fim de ano ou somente no primeiro trimestre de 2023.

https://br.lexlatin.com/reportagens/fusoes-aquisicoes-periodo-eleitoral-influencia

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